Planejar seu audiovisual em 2026: Dá para ser estratégico e intencional no novo ano que se inicia?
15.12.2025
Há poucos dias estive documentando a rotina de uma influenciadora junto com uma parceira e cliente.
Durante esse período juntos, pudemos acompanhar a insanidade de produção, que visava resultado.
Seja de alcance, de engajamento, de qualidade, receita para os clientes da influenciadora e até mesmo de posicionamento de marca dela própria.
Conversávamos sobre isso, como era possível aquela entrega absurda em quantidade, resultado e como aquilo era planejado, e por quanto tempo.
E foi assim que a conversa começou a ficar interessante.
Você não vai perder espaço em 2026 porque deixou de produzir vídeos.
Vai perder porque, mesmo produzindo, ninguém conseguiu explicar por que a sua marca importa.
Planejar seu audiovisual para 2026 começa quando você entende que não está mais competindo por alcance, curtida ou visualização, mas por memória, confiança e significado.
E isso a influenciadora entendeu.
Começou a ver como negócio. Utilizar o audiovisual a seu favor também nesse sentido.
E isso muda completamente o jeito de pensar vídeo dentro de uma empresa.
Não é mais sobre estar presente em todas as redes, nem sobre seguir o formato da vez, mas sobre ocupar um lugar claro na cabeça de quem decide comprar, contratar ou confiar.
Se isso ainda soa confuso, pense em quantas marcas você vê todos os dias e não lembra de nenhuma. Elas aparecem, mas não ficam. Produzem, mas não constroem.
Ao meu ver, é exatamente aí que a maioria vai tropeçar nos próximos anos.
Produzir muito não é o mesmo que construir algo
Hoje existe uma falsa sensação de progresso ligada ao volume. Ele deve ser adequado. Quanto mais vídeos no ar, maior a impressão de movimento.
Na prática, nem sempre o “quem não é visto, não é lembrado” é uma boa. Inclusive, em alguns casos, o que acontece é o oposto.
Mas esse ainda não é o ponto.
Imagine uma empresa grande, com várias áreas internas, cada uma com sua própria demanda de comunicação.
O time de RH pede um vídeo institucional para comunicação e branding interno, o comercial quer algo para dar suporte e alavancar vendas, o marketing precisa alimentar redes sociais infinitas e a liderança quer um filme inspiracional para um evento.
Cada pedido faz sentido isoladamente.
O problema começa quando ninguém olha para o conjunto.
Cada vídeo nasce com uma estética diferente, uma linguagem diferente, um discurso diferente. E já falei disso aqui também.
No fim do trimestre, a empresa produziu muito.
Mas se alguém de fora assistir a tudo em sequência, não consegue responder a uma pergunta simples: que empresa é essa?
Tá aí o preço de não planejar. O audiovisual vira uma montanha de boas intenções que não se conectam.

A armadilha da urgência diária
Outro ponto comum é quando o audiovisual passa a ser guiado apenas pela urgência. A reunião começa sempre do mesmo jeito: “precisamos postar”, “precisamos lançar”, “precisamos aparecer”.
O briefing nasce correndo. Não há tempo para pensar contexto, continuidade ou consequência. O foco é resolver o agora.
O problema é que, quando tudo é feito para ontem, nada é feito para durar.
Um exemplo simples é o vídeo pensado apenas para aproveitar uma tendência de linguagem ou estética até pode ter bons resultados naquele mês. Mas seis meses depois ele já parece datado.
Um ano depois, ninguém quer mais associar a marca àquilo. O esforço foi real, o custo também, mas o retorno se perdeu no tempo.
Planejar seu audiovisual para 2026 é justamente sair desse ciclo de urgência eterna e começar a usar o tempo como aliado, não como inimigo.
Quando ninguém pensa na memória, o gestor pensa no corte.
Sem o planejamento de longo prazo, o audiovisual vira um custo difícil de defender.
Ele entra na planilha como despesa recorrente, não como investimento estratégico.
É nesse momento que surgem perguntas desconfortáveis.
Por que estamos gastando tanto com vídeo? O que isso está trazendo de retorno real? Não daria para reduzir?
O problema não está na pergunta. Está na falta de resposta clara.
Quando não existe uma lógica por trás do que é produzido, fica impossível mostrar que aquele conteúdo constrói marca, acelera vendas ou reduz atrito em outros pontos do negócio.
E quando não se consegue explicar valor, o corte vira uma questão de tempo.
Planejar seu audiovisual para 2026 é decidir para que ele serve
Uma mudança simples, mas que faz diferença, é trocar a pergunta “qual vídeo vamos fazer?” por “para que esse audiovisual existe dentro da nossa estratégia?”.
Por exemplo, se a resposta for construir autoridade, o tipo de conteúdo muda. Em vez de vídeos promocionais, entram narrativas que mostram processo, visão, decisões e bastidores.
Se o objetivo for apoiar vendas complexas, o foco deixa de ser impacto rápido e passa a ser clareza, profundidade e confiança.
Vou colocar aqui um pequeno exercício prático já te ajuda muito.
Pegue os vídeos produzidos no último ano e tente encaixar cada um em uma função clara.
Se muitos não se encaixam em nenhuma, isso é um sinal de que o audiovisual está sendo feito sem direção.
Narrativa é o que permite mudar sem se perder
Muita gente diz que não dá para planejar porque o mercado muda rápido.
E isso é verdade. O erro é achar que planejar significa travar formato.
Formato muda. Plataforma muda. Linguagem se ajusta. A narrativa, não.
Quando uma marca sabe quais temas defende, quais perguntas faz e qual visão de mundo sustenta, ela consegue se adaptar sem parecer oportunista.
O público reconhece a essência mesmo quando a embalagem muda.
Na prática, isso significa definir alguns pilares narrativos que guiam tudo. Não como regra rígida, mas como direcionamento.
Antes de produzir qualquer vídeo, a pergunta passa a ser: isso reforça algum desses pilares ou só preenche calendário?
Pensar em série muda muito
Outro ajuste simples com impacto enorme, é parar de pensar em vídeos isolados e começar a pensar em “séries”.
Uma série permite aprofundar um tema aos poucos, criar familiaridade e acompanhar a evolução real do negócio. Em vez de tentar contar tudo em um único filme institucional, a marca passa a mostrar capítulos da sua história.
Outro exemplo aqui.
Em vez de um vídeo genérico sobre cultura, a empresa pode criar uma série curta mostrando decisões reais do dia a dia, conflitos, aprendizados e bastidores. Cada episódio não precisa “vender”. Ele precisa sustentar uma visão coerente ao longo do tempo.
Esse tipo de conteúdo envelhece melhor, porque não depende de moda. Depende da essência, de verdade.
Antes de gravar, pense onde isso pode viver depois
Planejamento também significa pensar na vida útil do conteúdo antes de apertar o REC.
Um mesmo material pode gerar peças para redes, vídeos de vendas, conteúdos internos e registros institucionais. Mas isso só acontece quando essa intenção existe desde o início.
Experimenta fazer isso aqui.
Na próxima produção, antes de gravar, escreva três possíveis usos futuros para aquele conteúdo. Se não conseguir pensar em nenhum além do post imediato, talvez ele não valha o investimento.
Fornecedor entrega vídeo. Parceiro cuida do caminho
Existe uma diferença grande entre quem executa e quem acompanha.
Planejar seu audiovisual para 2026 exige alguém que ajude a pensar, a dizer não quando necessário e a proteger a coerência da marca ao longo do tempo. Não é sobre controle criativo. É sobre responsabilidade narrativa.
Tanto eu quanto a produtora, nos posicionamos exatamente nesse espaço. Não começamos a conversa perguntando qual vídeo precisa ser feito, mas que marca precisa ser construída.
O documentário entra como método porque ele obriga a olhar para a realidade da empresa, para as pessoas, para as decisões e para o tempo. Ele cria lastro. E lastro gera confiança.
No fim, o futuro não vai premiar quem fala mais alto ou quem posta com mais frequência. Vai premiar quem consegue fazer sentido por mais tempo.
Quero te deixar uma pergunta simples: se alguém assistir aos seus vídeos de hoje daqui a três anos, eles ainda vão dizer quem você é ou só vão denunciar que você estava com pressa?
Então se acalme. Analise. E se quiser, estou aberto para ouvir como foi essa analise para você.
Um café quente e uma mente presente.
Renan.