Já se foram seis meses escrevendo
08.12.2025
Tem um momento na vida em que a gente percebe que, se não se colocar em movimento, nada muda.
Eu comecei a newsletter exatamente por isso.
Não foi um projeto estratégico mirabolante, nem uma pira criativa: foi um empurrão interno dizendo “cara, começa logo… depois você vai ajustando”.
E nessa news, seis meses depois, sinto que essa decisão me tirou de um daqueles lugares invisíveis onde a gente acha que está avançando, mas só está girando no mesmo ponto.
Ainda mais nesse momento em que a internet com esse monte de informações, e gurus, que muitas vezes não nos levam para lugar algum.
A tese que me guiou sem eu perceber
A ideia era muito simples: criar um espaço onde eu pudesse pensar em voz alta sobre audiovisual documental estratégico mas de um jeito honesto, sem muita formalidade ou firula.
Simplesmente algo para me desenvolver e me incentivar a estudar, compartilhando algo.
Um lugar onde o conteúdo fosse consequência do meu processo, não um produto "meio que pronto”.
E o mais difícil, sendo eu mesmo.
E olha, escrever assim tem sido quase terapêutico.
Você se vê no texto. E às vezes não gosta do que vê. Outras vezes se surpreende. Outras, a IA te corrige.

Por que isso importou tanto
Começar algo do zero é bem desconfortável.
Ainda mais algo novo em que não se sente apto e jogar para o universo imperdoável da internet.
Dizem que algo deu certo por aqui quando os "haters” aparecem. Porque existir eles sempre existiram.
Ninguém faz nada com o intuito de não dar certo.
É como entrar numa sala onde ninguém te conhece e, mesmo assim, você precisa falar.
Logo eu, que quem me conhece sabe, de poucas palavras e bem contido. Desafio gigante.
Nos primeiros dias bate o medo:
“Será que alguém vai ler?”
“Será que isso aqui faz sentido?”
“Será que estou expondo demais?”
Aí você continua… meio cambaleando, meio curioso e, de repente, percebe que está aprendendo enquanto escreve.
Que o seu repertório cresce porque você precisa buscar novas referências.
A sua visão fica menos rígida porque você se obriga a revisitar certezas.
E o mais engraçado e curioso é quando você compartilha o que está pensando, e as pessoas começam a compartilhar o que elas estão pensando também.
E desse encontro nascem conversas que você não teria de outro jeito. Seja com pessoas novas ou aquele velho conhecido que esteve distante por um tempo.
O benefício que eu não esperava
Uma das coisas mais marcantes desses meses foi perceber que criar sua própria base muda totalmente a relação com quem te acompanha.
É diferente quando alguém chega até você porque quer acompanhar.
Porque escolheu se conectar com o que você está construindo.
Vendo sentido na forma como você enxerga as coisas.
Isso abriu portas reais como gente do audiovisual, do marketing, da gastronomia, empresários, criativos, pessoas que dividiram histórias, dúvidas, elogios, críticas.
E tudo isso me ajudou a entender mais sobre o meu próprio posicionamento.
De fato, não é bom ficar dependendo de plataformas para fazer suas publicações e disseminar seu conteúdo, depender da entrega de alguém. Então é ter interessante ter canais próprios com pessoas que tem real interesse em você, no que você pensa ou faz.
Eu comecei procurando consistência (ainda que com falhas) e encontrei gente.
Querendo sempre escrever melhor e encontrei uma versão mais exigente e, ao mesmo tempo, mais leve de mim mesmo.
E saber que está sendo feito o melhor que se pode naquele momento, com a intenção e capacidade que se tem.
O tal “desenvolvimento profissional” que ninguém avisa como funciona
Isso foi de fato algo que mais me marcou.
O interessante é que escrever (toda semana) me colocou num caminho de evolução contínua que eu não teria se tivesse ficado só consumindo conteúdo.
Produzir te obriga a organizar pensamentos, construir argumentos, testar ideias.
É quase uma academia para o cérebro (com a vantagem de não precisar acordar às 6h da manhã, como faço no Pilates…).
E foi nesse ciclo que percebi que estou ficando mais próximo do profissional que quero ser.
Não pronto, não perfeito, mas alinhado, consciente, curioso.
E cercado de pessoas que puxam essa curiosidade para cima.
Vira e mexe eu escrevo que é muito bom ser cercado por pessoas e profissionais extraordinários, e isso é um privilégio que eu tenho com toda certeza.
A verdade é que… eu me surpreendi
Eu achava que seria difícil manter a disciplina.
E Foi. Mais difícil que a carreira de atleta.
Eu achava que seria um desafio escrever sempre algo relevante.
Ainda é.
É preciso estar atento, ter percepção e ouvir quem te acompanha.
Mas o que eu não imaginava é que isso fosse me dar tanta clareza sobre meu caminho dentro do audiovisual documental estratégico e, principalmente, tanta vontade de seguir fazendo. Ainda que com dificuldades e limitações.
Seis meses depois, olho para trás com aquele sentimento de “parece que tá funcionando… e ainda tem muito mais para vir”.
Se você está lendo isso agora, talvez seja a hora de você também começar algo que está adiando.
E isso eu já te disse seis meses atrás já na minha primeira news. E sim, é dezembro, o que que tem?
É tempo de começar. Vai ter desejado isso daqui alguns meses quando esse tempo passar e não voltar mais.
E se já começou, me conta: o que está te surpreendendo no meio do caminho?
Um café quente e uma mente presente.
Renan.