O gosto pessoal nas decisões destroem negócios
01.12.2025
Já não me lembrava mais quando isso tinha acontecido da última vez.
É uma situação que é tão traumática que a gente acaba jogando isso no buraco negro da memória para não ter que passar por isso novamente.
Só estou falando disso porque, recentemente, vivi de novo uma situação dessas.
Um projeto que caminhava bem, solução certa, estratégia clara, tudo resolvido no campo técnico… até a decisão virar uma discussão de gosto.
Do “eu prefiro assim”, “acho mais bonito desse jeito”, “tá tudo lindo, conceito perfeito, mas é que não me desceu”....
E naquela hora, ficou evidente que não era mais sobre solução, mas era sobre apego.
E isso precisa ser falado, quantas vezes for necessário.
Porque muitas vezes esse tipo de conflito nasce da falta de posicionamento claro com o cliente.
Outras vezes, nasce da falta de entendimento do próprio problema que precisamos resolver.
Mas, em muitos casos, nasce simplesmente do apego emocional a uma ideia, a uma estética, a um controle que dá uma falsa sensação de segurança.
Geralmente é nessa etapa da conversa que a coisa desanda de vez.
O gosto pessoal nas decisões é confortável e perigoso.
Todo mundo tem seus gostos, suas preferências e não tem problema até aí.
Carregamos nossas referências, vontades, traumas, inspirações e inseguranças. Isso é da humanidade.
O problema não é ter gosto. É quando o gosto pessoal assume o lugar da estratégia dentro de qualquer empresa.
Quando o “eu acho” passa a valer mais do que o “isso funciona”.
Se o “eu gosto” pesa mais que o “isso resolve”, é custoso.
O “faz assim porque eu prefiro”, sem explicação, se torna mais importante do que “faz assim porque o cliente precisa”.
Nesse ponto a comunicação deixa de ser ferramenta de crescimento e passa a ser extensão do ego.
E ego não vende.
Ele só existe em si próprio, para se satisfazer.
Se ficar no topo da decisão, esquece.
O gosto pessoal quase nunca aparece no briefing.
Ele aparece na aprovação.
Na prática, as coisas raramente começam erradas.
O briefing sempre vem com boa intenção, com clareza.
A equipe investe tempo pensando.
O parceiro cria com a ideia alinhada com o problema real.
Mas é na aprovação final que tudo resolve ficar diferente.
“Troca essa música.”
“Essa cena ficou estranha.”
“Essa cor não me agrada.”
“Esse ritmo não é meu estilo.”
Sai do escopo o funcional e entra o agrado.
Esquece a solução e o foco fica no que “representa a mim”.
Obviamente, todo cliente tem que ser representado no projeto, mas aí é quando essa linha já foi ultrapassada a quilômetros atrás…
E a comunicação da marca deixa de falar com milhares para agradar uma pessoa só.
E quase ninguém percebe o tamanho desse erro no momento em que ele acontece.
Principalmente porque “está pagando” e “meu desejo, é uma ordem”.
Quando o vídeo agrada por dentro e morre por fora
Esse é o sintoma mais comum de decisões guiadas por gosto pessoal.
Ou de empresas que estão acostumadas a falar de si mesmas com eu citei na News da semana passada.
O vídeo é aplaudido na sala da diretoria.
O time interno comemora.
O dono se reconhece.
Todo mundo diz que está bonito.
Mas quando vai para o mundo real, para o feed, para o anúncio, para o público… nada acontece.
Pouca atenção e retenção.
Nenhum vínculo real, ou expectativa criada..
E então começam as desculpas: o algoritmo mudou, o mercado esfriou, as pessoas perderam o interesse. Vocês não fizeram direito.
Por isso somos muitos claros na produto em nossos projetos e como devemos seguir os processos.
Aliás, em muitos casos nos posicionamos com relação a isso.
Fazemos nosso papel como profissionais, de pesquisa, de método, e se há uma resistência muito forte, não damos sequência com clientes.
E acontece do conteúdo não conversa com quem deveria conversar.
E você não sabe o porquê. Se deixasse o ego até nesse quesito, saberia.
Porque ele não foi feito para o cliente.
Foi feito para agradar internamente.
Identidade de marca não pode depender do gosto de quem está aprovando no mês
Outro efeito negativo do gosto pessoal nas decisões é a confusão visual e narrativa das marcas.
Cada campanha tem um estilo, parece de um planeta diferente.
Iniciando do zero sempre.
Tudo porque não existe sistema.
Só preferência.
Um dia o gosto é clean.
No outro é ousado.
Depois é institucional.
Publicitário demais.
Agora algo “mais moderno”, sem saber exatamente o que isso significa.
O público não reconhece a marca, não cria memória e nem desenvolve confiança.
Porque reconhecimento nasce da repetição com lógica.
E ela não nasce do gosto, mas de posicionamento.
O custo invisível de decidir por apego
Pouca gente soma essa alta conta, mas ela existe.
Quando o gosto manda mais que a estratégia, aparece os temidos casos:
Refações.
Retrabalho.
Regravações.
Mudanças de última hora.
Materiais que nunca são publicados.
Isso gera custo financeiro, desgaste emocional, quebra de confiança entre equipes e parceiros, além de um efeito silencioso que quase ninguém percebe: a empresa começa a atrasar o próprio crescimento porque está sempre presa à revisão do que já estava pronto.
Enquanto isso, o mercado anda. O concorrente testa. O cliente muda.
Experiência não substitui escuta
Uma das frases mais comuns nesse tipo de situação é: “eu estou há vinte anos no mercado”. E sim, isso tem valor.
Mas experiência não substitui escuta.
Experiência não substitui teste.
Experiência não substitui observação do comportamento real das pessoas.
O problema do gosto pessoal não é a falta de conhecimento.
É o excesso de certeza. É quando a convicção vira barreira.
Quando o olhar para fora é trocado por uma defesa constante do que já se acredita.
Marketing vive do agora. Do movimento. Do comportamento.
Gosto pessoal costuma viver da memória.
Confundir identidade da marca com identidade pessoal é um erro clássico
Outro ponto delicado é quando o decisor diz: “isso não me representa”.
E quase nunca se pergunta se aquilo representa o cliente.
A marca não é uma extensão da personalidade de quem decide. (Infelizmente, ou Graças a Deus…)
A marca é uma relação viva com o mundo.
Ela precisa fazer sentido para quem compra, para quem se identifica, para quem se conecta emocionalmente.
Quando a comunicação vira um autorretrato do dono, ela encolhe.
Quando vira uma ponte entre a empresa e a vida real das pessoas, ela cresce.
Onde o audiovisual documental estratégico entra como proteção real
O audiovisual documental estratégico nasce, exatamente, como antídoto para esse tipo de erro.
Já disse e vou repetir novamente, que nem um robozinho falando:
Ele não começa na estética. Começa na escuta.
Ele não começa na câmera. Começa no entendimento do contexto.
Ele não começa no gosto. Começa na intenção.
Antes do ritmo, impacto.
Antes da trilha, mensagem.
Antes da cena bonita, a verdade.
Joga isso tudo numa IA e vê se eu estou maluco.
Quando a opinião sai do centro e o método assume o volante
Quando existe método, o gosto perde força.
Não desaparece totalmente, mas deixa de ser a direção.
As decisões passam por perguntas muito mais importantes do que “eu gostei” somente.
Isso resolve para o cliente?
Isso reforça o posicionamento?
Isso cria entendimento?
Isso constrói algo que permanece?
A estética deixa de ser vaidade e passa a ser ferramenta, como deveria ser sempre.
Narrativas centradas no cliente, não no ego
O maior deslocamento que o audiovisual documental estratégico provoca é esse: a marca para de falar sobre si e passa a falar sobre o impacto que gera.
Não é mais “olha como somos … (escolha seu adjetivo incrível aqui…)”.
Passa a ser “olha como a vida das pessoas muda quando fazemos isso”.
Esse tipo de narrativa não depende de modismo, não depende de tendências rápidas.
Porque é a realidade, que inclusive, não sai de moda.
Identidade durável nasce de sistema, não de preferência
Quando a marca constrói uma identidade audiovisual com base em método, ela ganha algo raro: continuidade com liberdade.
Ela pode mudar, evoluir, crescer, sem perder quem ela é.
Porque deixou de depender do humor de quem aprova e passou a depender de um eixo claro de decisão.
Isso gera reconhecimento.
Gera confiança, memória e principalmente percepção de valor.
Quando o gosto sai do centro, o ambiente muda
As decisões ficam mais leves.
Os processos aceleram.
Os conflitos diminuem.
O time volta a ter coragem de propor.
Os parceiros trabalham com mais segurança.
A comunicação deixa de ser um campo emocional instável e passa a ser um espaço de construção clara.
O gosto pessoal é confortável, mas nunca foi direção para quem quer crescer
No fim das contas, o gosto pessoal protege o ego, mas arrisca o negócio.
Estratégia protege a marca.
Narrativa protege o posicionamento.
Método protege o futuro.
Empresas que crescem escolhem clareza, não vaidade.
Marcas que duram escolhem coerência, não apego.
Negócios fortes constroem histórias, não preferências.
Onde eu estou nessa história
Existimos exatamente para tirar o peso da decisão emocional e colocar clareza no centro do processo.
A gente não disputa gosto.
A gente constrói critérios.
A gente não briga com opinião.
A gente ancora decisões em intenção, método e cliente.A gente não vende vídeo.
A gente constrói um ativo narrativo exclusivo.
Uma espécie de patrimônio.
O que quero deixar
Analise e seja minimamente honesto com você mesmo:
As decisões da sua marca estão sendo guiadas por estratégia…
ou pelo gosto de quem aprova?
E mais importante ainda:
Você quer construir conteúdos bonitos…
ou uma marca que realmente sobreviva ao tempo?
Independente do seu momento ou critérios, sigo firme na ideia de te dar clareza e te ajudar em seus negócios através do audiovisual documental estratégico.
Um café quente e uma mente presente.
Renan.